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É REALMENTE POSSÍVEL EXPANDIR A CONSCIÊNCIA?

Veja o que ciência diz sobre.



CONSCIÊNCIA HUMANA: FUNÇÕES, ESTRUTURA E POSSIBILIDADES DE EXPANSÃO NA PERSPECTIVA CIENTÍFICA


  A consciência, um dos temas centrais da Psicologia e das Neurociências, é uma função cognitiva vital que nos permite perceber a nós mesmos e ao mundo ao nosso redor. Mas o que exatamente é a consciência? Como ela se manifesta em nosso cérebro e em nossa experiência subjetiva? E será que podemos expandir os limites da nossa própria consciência? 


  Essas foram as perguntas-chave que direcionaram este artigo, que propõe uma revisão teórica de conceitos sobre a consciência e busca desvendar os mistérios desse processo cognitivo, desde a autopercepção até a influência dos estímulos ambientais e dos nossos próprios estados mentais, referências a autores clássicos, como Freud e o atual pesquisador e neurocientista António Damásio, estão presentes, além disso, vamos explorar, com base em evidências científicas, a possibilidade de expandir a consciência através de práticas de meditação e yoga. 


  Já podemos adiantar que os dados analisados sugerem a plasticidade da consciência e evidenciam a importância de abordagens integrativas e científicas para seu aprimoramento. 


Palavras-chave: consciência; neuropsicologia; meditação; yoga; funções cognitivas; tipos de consciência; psicologia; estados alterados; origem consciência. 


O QUE É CONSCIÊNCIA

Pode-se compreender a consciência como a vivência subjetiva da existência e do ambiente circundante. Linda Davidoff (2001) caracteriza a consciência como a percepção dos próprios processos mentais, sensações e percepções, sendo fundamental para a autorregulação e a adaptação do indivíduo. Freud (1915) organizou a mente humana em três sistemas: consciente, pré-consciente e inconsciente, ressaltando que muitos dos nossos comportamentos são impulsionados por conteúdos inconscientes, evidenciando a complexidade deste fenômeno. 


Na esfera da neurociência, António Damásio (2000) apresenta uma visão hierárquica da consciência, diferenciando-a em dois níveis centrais: a consciência primária (ou central), que está relacionada à percepção de estímulos em tempo real, e a consciência ampliada, que se liga à construção de uma narrativa contínua e autobiográfica do "eu". Damásio, ainda, classifica três tipos de "ser": o protoser, o ser central e o ser autobiográfico, todos fundamentados na interação entre cérebro, corpo, emoções e sentimentos. 


TIPOS E ESTADOS DE CONSCIÊNCIA

Além da categorização proposta por Freud e da estrutura sugerida por Damásio, outros estudiosos ampliam a discussão sobre os estados de consciência. Hur (2021) sugere a existência de modos alternativos de consciência, como aqueles vivenciados em estados meditativos ou durante o esquizodrama, salientando que a consciência não é um fenômeno fixo, mas algo que pode ser modificado. Esses estados alterados abrem espaço para novas maneiras de perceber a realidade e a si mesmo, intensificando a criatividade, a empatia e o bem-estar subjetivo. 


Conforme um artigo da Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, a consciência é um fenômeno multifacetado do neuropsicológico, fundamentado em redes neurais disseminadas que incluem partes como o córtex pré-frontal, o tálamo e o sistema límbico (Silva et al. , 2020). A atividade consciente depende da interconexão dessas áreas e está profundamente ligada à atenção, memória e processamento emocional. 


A CONSCIÊNCIA PODE SER EXPANDIDA?

A ideia de ampliar a consciência humana é uma questão intrigante. Cientificamente, essa ampla consciência está ligada ao aumento da capacidade de reflexão pessoal, percepção do agora, integração das emoções e controle da atenção. Segundo Menezes e Dell’Aglio (2009), práticas como a meditação proporcionam benefícios significativos, favorecendo estados de atenção plena, clareza mental e diminuindo o estresse e a ansiedade. Em uma revisão sistemática da literatura, as autoras indicam que a meditação, quando praticada de maneira regular, pode provocar alterações estruturais e funcionais no cérebro, particularmente em regiões associadas ao autoconhecimento e à empatia. 


O yoga, por sua vez, atua no corpo e na mente, favorecendo o equilíbrio do sistema nervoso autônomo e impulsionando uma integração psicofisiológica que apoia a ampliação da consciência (Menezes & Dell’Aglio, 2009). Essas práticas ancestrais, hoje consolidadas por evidências científicas, provam que a consciência é passível de treinamento, ampliação e refinamento, colaborando para uma qualidade de vida superior. 


Rozo (2020) enfatiza que a consciência deve ser vista como um campo dinâmico, interativo e em constante desenvolvimento. Ele defende que, no século XXI, é fundamental adotar uma abordagem estratégica da consciência, levando em conta os avanços nas áreas da neurociência, psicologia e práticas integrativas. 


CONCLUSÃO

A consciência, enquanto função cognitiva, é um fenômeno complexo e multidimensional, que vai além da mera vigília. Ela abrange desde os níveis inconscientes postulados por Freud até as estruturas neurofuncionais avançadas sugeridas por Damásio, além de ser afetada por estados alternativos acessados por meio de práticas terapêuticas e contemplativas. 


Conforme demonstrado por diversos autores e pesquisas científicas, é viável promover a expansão da consciência humana através de práticas como meditação e yoga. Entretanto, essa expansão não deve ser vista como um "acréscimo místico", mas sim como um aumento na habilidade de perceber a si mesmo, ao outro e ao mundo com maior clareza, empatia e intenção. 

Pesquisas futuras poderão explorar mais a fundo as consequências da ampliação da consciência no desenvolvimento humano, nas abordagens terapêuticas e no melhoramento de funções cognitivas, como atenção, memória e tomada de decisões. Dessa maneira, a Psicologia permanece receptiva e em interação com diferentes áreas de conhecimento, buscando entender o ser humano em sua totalidade.


REFERÊNCIAS



Autores:

Pedro Henrique Paulino da Silva

Farid Fahed

Julieta Días


 
 
 

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